20 de maio po Paulo Brabo
Na cidade egípcia de Naucratis havia um famoso deus antigo cujo nome era Tot. Naqueles dias o deus Tamus era rei de todo o Egito. A ele veio Tot e mostrou-lhe suas invenções, desejando que os demais egípcios pudessem beneficiar-se delas. Ele enumerou-as todas e Tamus inquiriu a respeito de seus diversos usos, louvando-as e censurando-as à medida em que aprovava ou desaprovava.
Quando chegaram à escrita, Tot disse:
– Isto tornará os egípcios mais sábios e dará a eles memória mais aprimorada; é elixir tanto para a memória quanto para o intelecto.
– Ah, engenhoso Tot – respondeu Tamus, – o pai ou inventor de uma arte não é sempre o melhor juiz da utilidade ou da inutilidade de suas próprias invenções. E neste caso, sendo pai da escrita, por amor paternal você atribuiu a sua filha uma qualidade que ela não possui. Essa sua descoberta fomentará o esquecimento na alma dos aprendizes, porque deixarão de usar suas memórias. A confiança deles na escrita, produzida por caracteres externos que não são parte deles mesmos, irá desencorajá-los a usar a memória que está neles. O elixir que você descobriu promove não a memória, mas a reminiscência. A escrita dará aos seus discípulos não a verdade, mas a aparência da verdade; serão ouvintes de muitas coisas, e terão aprendido coisa alguma; parecerão ser oniscientes, mas se manterão na maior parte ignorantes; serão companhia enfadonha, tendo a aparência de sabedoria sem a realidade.
Uma das históras que Sócrates conta no Fedro (370 antes de Cristo)
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